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Evangelho de Jesus Cristo não julgueis, e não sereis julgados

Evangelho de Jesus Cristo não julgueis, e não sereis julgados

Glória a vós, Senhor.  

Evangelho (Mt 7,1-5): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não julgueis, e não sereis julgados. Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes.  

Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”. 

Palavra da Salvação. 

Homilia 

No Evangelho, Jesus disse: “Não julgueis, e não sereis julgados”. Mas, Jesus também tinha dito que temos de corrigir o irmão que está em pecado, e para isso é necessário ter feito antes algum tipo de juízo. O próprio São Paulo nos seus escritos julga a comunidade de Corinto e São Pedro condena Ananias e a sua esposa por falsidade. Por causa disso, São João Crisóstomo justifica: “Jesus não disse que não temos de evitar que um pecador deixe de pecar, temos que o corrigir sim, mas não como um inimigo que busca a vingança, mas como o médico que aplica um remédio”. O juízo, pois, parece que deveria fazer-se, sobretudo com ânimo de corrigir, nunca com ânimo de vingança. 
 
Ainda mais interessante é o que diz Santo Agostinho: “O Senhor previne-nos de julgar rápida e injustamente (…). Pensemos primeiro, se nós não tivemos também algum pecado semelhante; pensemos que somos homens frágeis, e ‘julguemos’ sempre com a intenção de servir a Deus e não a nós”. Se quando vemos os pecados dos irmãos pensamos em nós, não nos passará, como diz o Evangelho, que com uma trave no olho queiramos tirar o cisco do olho do nosso irmão. 

Precisamos, pois, estar conscientes de que todos nós temos limitações, mas também temos a capacidade para grandes transformações. Desse modo, as advertências de Jesus servem para que olhemos menos para os defeitos dos nossos irmãos e irmãs e descubramos em nós mesmos o que precisa ser transformado para o bem e a edificação do reino de Deus por meio das nossas atitudes. 
 
Se estivermos bem formados, veremos as coisas boas e as más dos outros, quase de maneira inconsciente: disso faremos juízo. Mas o fato de ver as faltas dos outros desde os pontos de vista citados nos ajudará na forma como julgamos: ajudará a não julgar por julgar, ou por dizer alguma coisa, ou para cobrir as nossas deficiências ou, simplesmente, porque toda a gente o faz. E, para terminar, sobretudo tenhamos em conta as palavras de Jesus: “a mesma medida que Tu usardes para os outros servirá para você”. Que Deus nos abençoe.

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