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Consagrados sejam francos, distantes da “espiritualidade do cupim"

Consagrados sejam francos, distantes da “espiritualidade do cupim”

“Por favor, evitem toda forma de fofoca. Sejam homens consagrados, homens do Evangelho, mas homens. Se você tem algo contra o outro, que garanta suas calças para lhe dizer isso na cara, dizer-lhe as coisas na cara ou ficar calado.

O Santo Padre recebeu na manhã deste sábado (15/01) na Sala Clementina, do Vaticano, os participantes do 164º Capítulo Geral dos Clérigos Regulares Teatinos. Ao saudar o superior geral, que foi reconfirmado no seu cargo, e os demais presentes, Francisco disse “quanto progresso e quanta estrada vocês percorreram com a providência de Deus”!

A seguir, referindo-se ao tema dos trabalhos capitulares “Teatinos para a missão…”, o Papa elogiou a sua escolha, em sintonia com a orientação fundamental da Igreja “sair para evangelizar”, dinamismo impresso por Jesus, que envolve todos os cristãos e comunidades. E explicou:

“Para vocês, de modo particular, este dinamismo combina com o carisma de São Caetano Thiene e dos seus cofundadores, que pode ser resumido como uma fraternidade sacerdotal apostólica, fortemente enraizada na vida espiritual e na caridade concreta com os necessitados”.

“Vocação na vocação” ou “segunda conversão”

Como aconteceu com tantos outros santos e santas, São Caetano impressiona-nos por seu “salto qualitativo”, que, em termos bíblicos, preferimos chamar “vocação na vocação” ou “segunda conversão”. Trata-se da passagem de uma vida boa e prezada para uma vida santa, repleta daquele toque especial, que vem do Espírito Santo. Este salto de qualidade faz crescer, não só a vida pessoal, mas também a vida da Igreja. Em certo sentido, a “reforma” a purifica e faz emergir a sua beleza evangélica. E o Papa acrescentou:

Podemos e devemos sempre recorrer a este testemunho, a este “evangelho vivo” para prosseguir o nosso caminho pessoal e comunitário, cientes de que ‘não é possível, para um cristão, conceber a sua missão na terra sem o caminho da santidade’. É o que o seu fundador demonstra: ‘todo santo e santa é uma missão, um projeto do Pai’ para refletir e encarnar, em um dado momento da história, um aspecto do Evangelho”.

Não devemos apenas imitar, em sentido literal, que, praticamente, é o próprio Jesus, mas assumir de um santo e santa o “método”, por assim dizer, o dinamismo espiritual, com o qual viveram o Evangelho, tentando traduzi-lo em nosso contexto atual. É isto que vocês propuseram como objetivo geral do seu Capítulo: “Atualizar o carisma teatino, respondendo aos desafios atuais, a partir da nossa identidade”.

“A reforma deve começar a partir de cada um”

Falando sobre a identidade, primeiro objetivo primordial dos trabalhos capitulares dos Teatinos, Francisco recordou um aspecto essencial do testemunho de São Caetano: “a reforma deve começar a partir de cada um”. Aqui, o Santo Padre citou o exemplo de São Caetano, que, quando veio a Roma, para trabalhar na Cúria papal, notou uma degradação espiritual e moral, infelizmente, generalizada. Então enquanto exercia seu ofício, frequentava o Oratório do Amor Divino, cultivando a oração e a formação espiritual, e trabalhava em um hospital para assistir os enfermos. E o Papa constatou:

Eis o caminho: começar por si mesmo a viver o Evangelho de forma profunda e coerente. Todos os santos fizeram assim; eles são os verdadeiros reformadores da Igreja, ou melhor, é o Espírito Santo que forma e reforma a Igreja, por meio da Palavra de Deus e dos santos, que colocam a Palavra em prática em suas vidas”.

Viver o Evangelho como os Apóstolos

A seguir, refletindo sobre o segundo objetivo primordial do Capítulo Geral, a comunhão, o Santo Padre voltou a falar do exemplo de São Caetano: “O Espírito não o impeliu a percorrer sozinho um caminho individual, mas o convidou para formar uma comunidade de clérigos regulares, para viver o Evangelho como os Apóstolos”.

Falando de algumas “santas comunidades”, que “viveram heroicamente o Evangelho”, Francisco disse que, entre elas, pode ser acrescentada a de seus cofundadores: nas comunidades religiosas a vida cristã é composta de muitos gestos diários e pequenos gestos de amor, onde os membros cuidam uns dos outros e constituem um espaço aberto e evangelizador, pois o Ressuscitado as santifica, segundo o desígnio do Pai.

Distantes da “espiritualidade do cupim”

A este ponto de seu discurso, o Santo Padre chamou a atenção, atendo-se à frase “os membros cuidam uns dos outros”, para o perigo das fofocas numa congregação religiosa, numa comunidade religiosa, quando os irmãos não cuidam um do outro:

Por favor, evitem toda forma de fofoca. Sejam homens consagrados, homens do Evangelho, mas homens. Se você tem algo contra o outro, que garanta suas calças para lhe dizer isso na cara, dizer-lhe as coisas na cara ou ficar calado. Ou esse outro critério, diga-o àqueles que podem remediar, ou seja, aos superiores. Mas não faça grupinhos, essa é a “espiritualidade do cumpim”, que esvai a força de uma comunidade religiosa. Nada de fofocas, por favor.

Discernir os sinais dos tempos

Por fim, o Papa comentou o terceiro objetivo dos trabalhos capitulares, a missão: “Discernir os sinais dos tempos para anunciar e viver o Reino de Deus entre os homens”. Segundo o carisma do seu fundador, a missão de vocês não é ‘ad gentes’. São Caetano evangelizou Roma, Veneza e Nápoles, mediante seu  testemunho de vida e suas obras de misericórdia; ele e seus companheiros serviram e nutriram aquela Igreja “hospital de campo”, tão necessária em nossos dias. E os exortou:

Encorajo-os a seguir as suas pegadas, com docilidade ao Espírito, sem esquemas rígidos, mas bem firmes no essencial: oração, adoração, vida comum, caridade fraterna, pobreza e serviço aos pobres. Tudo isso com coração apostólico e com o desejo evangélico de buscar antes de tudo o Reino de Deus”.

Ao término de seu discurso aos capitulares Teatinos, Francisco recordou que, entre as cidades evangelizadas por São Caetano, também estava Buenos Aires, onde sua festa é celebrada, no dia 7 de agosto, com grande participação popular. Os fiéis o veneram como “padroeiro do pão e do trabalho”. Por isso, ao abençoar os presentes, o Papa pediu a intercessão de São Caetano e de Nossa Senhora sobre a caminhada dos Teatinos, em seu compromisso de comunhão e missão. Fonte: Vatican News.

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